Como ex-presidente da Comissão Permanente da Pessoa Portadora de Deficiência da Alerj, não posso deixar de comentar um absurdo desses. Na madrugada da última quinta-feira, uma mulher de 36 anos, que sofre de hemiplegia — o lado esquerdo do seu corpo é paralisado, e sua fala, prejudicada – teve seu carro parado na Blitz Lei Seca na zona Sul do Rio. Por causa da deficiência, ela não conseguiu soprar o bafômetro e nem conseguiu se fazer entender (ela estava sozinha) com palavras. Ou seja, foi multada, sua carteira foi apreendida e quase teve o carro apreendido também.
Nem mesmo com todos os indicativos de que ela portava uma deficiência (adesivo do carro, um código na carteira de habilitação indicando que ela é portadora de deficiência ou mesmo a dificuldade de falar), os agentes não foram capazes de reconhecer ali uma pessoa portadora de deficiência. Ora, o que é isso? Total despreparo? Falta de humanidade? De sensibilidade? Seja o que for, foi um grande absurdo. E mais absurdo ainda foi que nenhum responsável pela Lei Seca veio a público esclarecer o fato. Ou devo chamar de vergonha? Procurado pela imprensa, o coordenador da Lei Seca limitou-se a dizer que vai apurar o caso.
Faz bem, a portadora de deficiência, em entrar com ação contra a prefeitura, não só para cancelar a multa, mas pelo constrangimento por que passou durante a Blitz.
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