sexta-feira, 9 de março de 2012

Ônibus para cadeirantes? Não

É impressionante como as empresas de ônibus ainda andam em círculo quando o assunto é a pessoa portadora de deficiência. Os cadeirantes, por exemplo, têm uma enorme dificuldade para se locomover pela cidade. São ônibus inadequados, motoristas totalmente despreparados e até – pasmem –  passageiros sem nenhuma paciência com os deficientes. Isso sem falar nos poucos transportes que dispõe do elevador para o cadeirante, mas não funcionam.

Hoje, uma equipe de TV fez uma blitz no Centro do Rio para acompanhar o percalço por que passa essa parcela importante da população. Pois bem, não faltaram desculpas aos motoristas dos coletivos para não embarcar os cadeirantes. Ou não tinham a chave que acionava o equipamento, ou não tinha a mínima ideia de como operar o elevador (“não recebi treinamento”, disse um deles). Isso, quando o elevador não funcionava mesmo. Mas o absurdo não parava: “...vocês têm que resolver esse problema lá na empresa”, afirmou um motorista.

Em um momento, a equipe de TV flagrou duas passageiras gritando de dentro do ônibus que estava parado por alguns minutos: “Tenho hora para trabalhar”. Eles também, senhoras.

Mas o pior é saber que tudo isso tem que mudar para a realização da Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Será? Ou os empresários acham que os países de fora não vão mandar cadeirantes para o Brasil? Pessoal, lá fora esses cadeirantes não estão acostumados com isso. Vamos abrir os olhos.

Tenho denunciado da tribuna da Alerj todos esses descasos de empresas de transporte público para com os cidadãos. Não somente os portadores de necessidades especiais, mas todos nós que utilizamos ônibus, trens e metrô. Inclusive, votei totalmente contra o aumento exacerbado das tarifas das barcas, que vêm prestando um péssimo serviço aos seus passageiros.

A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) disse que existe, sim, um treinamento para os motoristas de ônibus. Só que como o uso do equipamento não é frequente, eles ficam inseguros na hora necessária. Como assim? São cerca de 63 mil cadeirantes somente na cidade do Rio. E estamos contabilizando somente os que dependem dos equipamentos nos ônibus para facilitar a locomoção pela cidade.

Desculpe gente, mas isso não é desculpa. Ou melhor, é!

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